“Ela só queria um abraço, um beijo na testa e um: vai ficar tudo bem. Infelizmente tudo o que ouvirá fora um riso sarcástico que lhe acertou em cheio no peito, um olhar de desprezo que arrancou sua pele e um grito: Então vá embora! E naquele momento ela estava jogada no chão chorando, mas na realidade ficou estátia no mesmo lugar digerindo tudo o que ouvirá. Era a segunda vez que ouvia isso e doía tanto e tudo o que desejava era que ele a abraçasse e dissesse que estava arrependido, mas ele continuou com a mesma postura indiferente. Ela ficou em pé, seu pés comichando para irem embora e seu coração chorando para ficar, engoliu todo seu orgulho e ficou, tentou conversar, mas só queria gritar e dizer tudo o que tem vontade, mas não disse. Só que ele tanto mandou ela embora que agora ela vai e por mais que doa, por mais que ela saiba que irá chorar todas as noitas ela irá embora por não suportar mais ser a segunda em sua vida.”
Weiller L.
“Tudo o que ela queria era alguém que cuidasse dela. Alguém que segurasse suas mãos e dissesse que sim os unicornios existem, que sim ela pode ter o seu panda cor de rosa e seu tigre de estimação. E que quem fala que magia não existe o nariz irá cair. Ela só queria alguém que a abraçasse e dissesse que o mundo não tem fim e que não precisava se preocupar em olhar para os lados quando atravessasse a rua. Só queria alguém para poder dançar sob o luar, beijasse seu rosto debaixo da chuva e dissesse que ela fica linda depois de acordar com o cabelo todo bagunçado e o rosto inchado. Alguém que segurasse suas mãos quando ela sentisse medo e risse com ela nas cenas de terror. Que visse graça em ver algo sendo decapitado (em filmes, claro) e que achasse a risada dela a coisa mais estranha e perfeita de todo o mundo. Que assim como ela fica encantada com uma borboleta ficasse encantado com o brilho em seu olhar. Alguém que a protegesse dos crocodilos debaixo de sua cama, alguém que torcesse o nariz para suas misturas com refrigerantes, mas que no final visse que não é tão ruim quanto parece. Que entendesse que ela só passa de uma menina perdida e com medo, que a consolasse em suas crises e não brigasse com ela. Que quando ela sentisse ciúmes a abraçasse e dissesse que ela era única, que iria implorar por seu perdão até os fins dos tempos e que nunca mais a magoaria, que reconquistar sua confiança seria seu único objetivo. Pena que tudo isso não fosse um sonho e que ela continuasse deitada na cama envolta de seu edredons e de seus travesseiros com medo dos crocodilos debaixo da sua cama. Por que tudo isso não passa de uma doce ilusão, o cavalheiro da armadura reluzente não passava de mais um cafajeste que mostrou para ela que nada disso existia e que ela não passava de uma tola.”
Weiller L.
“Desejara que fosse profundo, que fosse intenso, que fosse doloroso, que fosse pior que os romances dos livros e mais profundo que a dor das personagens. Desejara tanto, ansiará tanto, pedira tanto por isso que conseguiu. Um sentimento devastador a fazia sentir agulhas perfurando lentamente sua pele e ao mesmo tempo seus pés tocavam as mais doces nuvens do céu. Era confuso e complicado, intenso e doce, romântico e desajeitado. Tudo o que sonhara um dia estava se realizando, mas o livro chegara ao fim e ela não sabia como proceder, deveria reler ele ou procurar por uma continuação? A intensidade dessa história feita a quatro mãos perturbou ela a tal ponto de chorar todas as noites pedindo por nunca ter lido aquele livro. Então ela chorara, suas lágrimas caiam pelo seu rosto morrendo em sua boca. Correrá até o outro par de mãos e pedirá um fim, um fim lento e sem dor, mas não conseguira isso. A dor veio pior que antes, era como se o ar tivesse sumido, como se ela não fosse digna de respirar, de sentir, de ouvir, de viver e quanto mais pensava mais dor sentia. Uma dor que veio devagar, mas quanto mais lembrava-se dos capítulos anteriores mais dor sentia, tentou gritar e não conseguiu. Tentou fugir e só fugiu mais para dentro de si mesma, vendo o qual confusa e suja era. Era apenas uma criança, brincando com a vida adulta desejando sonhos que não lhe pertenciam, a valsa de sua vida transformara-se em uma horrível dança perturbadora. Suas lágrimas alcançaram o outro compositor desta obra e ele veio em seu auxílio, ambos desabafaram, ela chorou e ele a abraçou. A beijou e prometeu sempre estar do lado dela, ela prometerá para si mesma em silêncio enquanto sentia a respiração perdida dele que se contentaria com o que tinha e que pararia de guardar toda a dor só para si. Iria dividir o seu livro particular com o outro contador de histórias, eles escreviam um livro juntos porque não podiam dividir o mesmo conto de terror?”
Weiller L.